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DESVER

FESTIVAL DE CINEMA 

UNIVERSITÁRIO

DE MATO GROSSO DO SUL

Quando o cotidiano se torna Cinema - Amanda Nogueira

Foto do escritor: Amanda Nogueira
Amanda Nogueira
25 de set.
2 min de leitura

“O pequeno movimento das coisas que ficam” é um documentário

experimental sobre o processo de tipografia, dirigido e roteirizado por Mari

Bechuate. A obra acompanha o trabalho da Gráfica Líder, localizada em Cachoeira,

na Bahia, apresentando-a como a única gráfica da região que ainda realiza esse

tipo de serviço.

Um documentário experimental rompe com as estruturas narrativas

tradicionais impostas pelo modelo jornalístico ou do documentário clássico. Este

filme constrói a experiência de forma excelente, moldando a atmosfera

principalmente através do som. Logo de início, somos recebidos com a ausência da imagem e o domínio completo do som da máquina e seu processo de impressão.

A permanência desse ruído ao longo da obra estabelece uma continuidade sensorial, fazendo do funcionamento da máquina um dos principais elementos de condução da experiência cinematográfica.

O uso da câmera na mão confere certa instabilidade às imagens, enquanto

os momentos de desfoque contribuem para uma percepção menos rígida do espaço e do processo de trabalho. Esses momentos chamam a atenção, embora não seja possível afirmar se resulta de uma escolha estética ou de limitações técnicas da filmagem, apesar disso, o desfoque não foi motivo de descontentamento na apreciação da obra. Enquadramentos muito fechados e a apreciação do ambiente tornam o documentário mais intimista para quem assiste. A fotografia, por si só, é passível de ser apreciada por sua simplicidade.

Adicionar a sobreposição dos elementos da tipografia na imagem filmada foi

uma surpresa inesperada tendo em vista toda a construção do filme até então,

apresentando uma mudança visual significativa por um breve momento da obra.

Essa escolha torna mais compreensível o processo apresentado, permitindo ao

espectador reconhecer elementos da tipografia presentes em seu cotidiano, mas

que frequentemente passam despercebidos.

De modo geral, a construção da obra transforma possíveis limitações

técnicas ou escolhas pouco convencionais em elementos que contribuem para sua

identidade estética. Ao se afastar dos modelos documentais tradicionais, o filme aproxima o espectador da simplicidade do trabalho tipográfico, revelando a riqueza de um processo que muitas vezes passa despercebido.

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