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DESVER

FESTIVAL DE CINEMA 

UNIVERSITÁRIO

DE MATO GROSSO DO SUL

Quando a nostalgia bate - Pedro Davi

Foto do escritor: Pedro Davi
Pedro Davi
25 de set.
2 min de leitura

Dirigido por Camisla, “O acumulador de memórias” é para aqueles que não

tem espaço celular por não apagar fotos antigas, para os que guardam seus

brinquedos de infância e os que lembram do passado quando vêem um objeto

específico. Neste Stopmotion, acompanhamos o protagonista coletando objetos que vê pela rua, até que um específico o leva a um passado nostálgico.

Camisla aborda de forma delicada como objetos materiais podem despertar

as mais profundas lembranças que temos guardadas conosco. O material em si

pode não significar nada sozinho, mas nós atrelamos significados a ele. A memória

atravessa o espaço e o tempo e mesmo o protagonista pegando a caixa no

presente, ela o levou ao passado.

Como o próprio nome diz, ele é um acumulador de memórias, e ao abrir

aquela caixa, a lembrança principal o leva a outra recordação, que vai para outra e

então mais uma, como uma caixa de pandora. Reminiscência. E devemos destacar

que cada passagem de memória é um estilo de animação diferente que conversa

com as diversas emoções que sentimentos dependendo do que estamos

lembrando. Cada dia vivemos de formas diferentes, e nada é igual , nunca nos

lembramos das coisas 100%, e isso é exemplificado nessas animações distintas.

Além do mais, nós somos um amontoado de memórias, uma mistura de tudo

que já vivemos e temos salvo em nossos neurônios, e devo elogiar como a direção

de arte dialoga tão bem com esse detalhe, onde o cenário e a figuração repletos de informações, cores e detalhes demonstram tão bem o que é a nossa mente, ou

melhor, a do protagonista.

Na cena, da praia me lembrei do curta de Nara Normande “Guaxuma” (2020),

que utiliza também bonecos de areia e a praia para falar de lembranças e da

infância. Em “Guaxuma” Nara expõe seu sentimento de saudade sobre uma amiga

que se foi, já em “O acumulador de memórias”, eu sinto como se fosse o

protagonista olhando para si mesmo enquanto é banhado pela nostalgia. O mar que vem e que vai sobre seus pés, são as lembranças indo e vindo, mas é apenas

minha interpretação.

Sendo assim, Camisla e sua equipe dão um show de como fazer um bom

stopmotion.

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