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DESVER

FESTIVAL DE CINEMA 

UNIVERSITÁRIO

DE MATO GROSSO DO SUL

Da televisão ao documentário: Nação Hip Hop- Amanda Nogueira

Foto do escritor: Amanda Nogueira
Amanda Nogueira
24 de set.
2 min de leitura

O hip hop consolidou-se como uma importante ferramenta de expressão

artística e resistência social das populações periféricas do Brasil. Nesse contexto, o

programa televisivo “Nação Hip Hop” surge como um espaço de divulgação e valorização das manifestações culturais ligadas ao movimento, contribuindo para a visibilidade de artistas e produções frequentemente marginalizadas pelos meios de comunicação tradicionais. O documentário “Nação Hip Hop: Cultura de Rua”,

dirigido e roteirizado por Laia Orisa, celebra o pioneirismo na televisão brasileira, sendo este o primeiro programa independente de TV aberta dedicado ao hip hop,explorando sua trajetória de desenvolvimento e sua relação com a sociedade.

Para compreender a proposta do documentário, é necessário considerar a

relevância cultural e social do movimento hip hop, cuja trajetória no Brasil está

profundamente relacionada à expressão das vivências periféricas. O hip hop foi uma importante ferramenta de denúncia no início dos anos 1980, impactando a

população de diferentes formas até os dias de hoje. De modo geral, a música retrata fatores como desigualdade social, pensamento crítico e identidade cultural

principalmente para as periferias, sendo uma das principais referências de

manifestação cultural até hoje. O Nação Hip Hop celebra essas características.

O documentário “Nação Hip Hop: Cultura de Rua” é o projeto vencedor do

10º edital de apoio ao Audiovisual Armando Carreirão 2021/2022, além de também

ser um projeto apoiado com os recursos da Lei Emergencial Paulo Gustavo. Seu

objetivo é o compartilhamento da experiência da equipe em relação a jornada de

desenvolvimento do programa de forma independente para a TV aberta. Logo de

cara, somos contemplados com a ideia de que o documentário não tenta mascarar

seu processo de produção, revelando os equipamentos utilizados e outros

momentos em que os membros entrevistados interagem diretamente com a equipe por trás das câmeras.

A identidade visual é muito bem estabelecida, se utiliza da animação de

rotoscopia no início e final do filme, incorporando elementos da arte de rua para

dentro do contexto cinematográfico. Tanto a fonte utilizada quanto os traços da arte

e as cores vibrantes podem ser facilmente reconhecidas como características do

graffiti. A música é quase constante e conversa com o que está sendo dito, sendo


este talvez o item mais importante dentro da integração da obra por simbolizar tudo

aquilo que moveu o projeto televisivo e move hoje o documentário apresentado.

Da composição do filme e sua montagem, várias imagens de arquivo da

“Nação Hip Hop” foram utilizadas como forma de comparação, reforço do que

estava sendo dito e representação da trajetória do programa. Em diversos

momentos essas imagens foram utilizadas de forma quase nostálgica em conjunto

com as palavras dos entrevistados, reforçando o momento narrado e a experiência

vivida por cada um deles. Também servindo como um meio para evidenciar o início do programa e como ele se dá nos dias de hoje.

As entrevistas, embora tenham esse aspecto tradicional do modelo de

documentário, passa uma proximidade com os entrevistados devido a forma

abordada que remete quase a uma conversa com um amigo. Esse aspecto de

informalidade também parece ser algo que tenta se aproximar da abordagem do

programa original, sendo uma escolha excelente feita pela diretora. A identidade do documentário não se sobrepõe à identidade do programa, pelo contrário, ela a

celebra ainda mantendo-se fiel a sua própria.

1 comentário


Claudio Rio
Claudio Rio
24 de set.

Amanda, muito feliz pelo seu texto, não pelo fato de ter sido um enfoque positivo sobre a obra, na sua reflexão, mas principalmente, por constatar que, de alguma forma, conseguimos atrai a sau atenção, para uma história de invisibilidade, se imaginar que o programa, que inspira o filme, foi ao ar, lá no incio dos anos 2000, quando num estado sulista e branco, falar de uma linguagem e expressão do povo negro e periférico, numa televisão aberta, era uma afronta aos meios culturais elititizados e academicos. Que bom que podemos compartilhar esta mensagem, mais de 20 anos após a produção e exibição de uma programa com uma linguagem contemporânea, e, tudo, de forma independente. Valeu .... obrigada

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