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DESVER

FESTIVAL DE CINEMA 

UNIVERSITÁRIO

DE MATO GROSSO DO SUL

  • Foto do escritorGiulia de Sousa Sovernigo

Como (sobre) Viver de Cinema (?)

“Viver de Cinema” é um tapa na cara do início ao fim para pessoas que almejam sobreviver com arte no Brasil. Montado com fragmentos de entrevistas de estudantes de cinema e trabalhadores do meio cinematográfico, o curta documental utiliza-se muito mais do aspecto sonoro do que do visual para passar sua mensagem: as dificuldades de sobreviver no Brasil trabalhando com cinema. Trechos de conversas, entrevistas e imagens de arquivos são exibidas uma atrás da outra virando por fim um enorme desabafo de pequenos e novos produtores audiovisuais nacionais.

A obra é como um pedido para que prestem atenção no cinema local, mas não apenas nos mesmos de sempre, mas sim nas pessoas novas que tentam integrar-se a nele. A maior reclamação em relação ao cenário é sobre como as pessoas de dentro do próprio meio agrupam-se e criam um ciclo fechado, impedindo novas entradas no ambiente, evitando que novas pessoas fiquem sob o já pequeno holofote brasileiro, assim também impedindo uma expansão do panorama cinematográfico.

A fala “tem espaço pra todo mundo. Por que a gente tem que ficar aplaudindo os grandão que tá alí no cinema? Por que a gente não pode aplaudir o que a gente tá fazendo aqui?” dita aos 6 minutos e 15 segundos do filme é algo que representa a resignação em relação a essas portas fechadas pelos próprios produtores para novas pessoas. A invisibilidade de obras vindas de criadores menos conhecidos é colocada em foco neste filme, dando voz àqueles que nunca antes foram ouvidos, pessoas que têm histórias para contar, mas que, para isso, buscam outras para ouvirem.

O apontamento da importância de contatos nesse meio, até mesmo maior que a de uma formação na área, é uma verdade dolorida jogada no colo do espectador, me incitando a ter vontade de fazer algo para mudar, pois me faz pensar na quantidade de películas incríveis se está perdendo devido a essa exclusão no meio de produções culturais. Quantos projetos foram arquivados devido à falta de auxílio e oportunidade de produção? E até quando serão ignorados? São algumas das várias perguntas que ficaram em minha cabeça após o filme. Algumas talvez vejamos o desenrolar com os anos, torcendo para que sejam positivas, e para que, futuramente, o meio cinematográfico nacional amplie-se e não sejam mais necessários filmes para explicar a dificuldade de produzir filmes.

Por fim, minha experiência com “Viver de Cinema” foi extremamente reflexiva, trazendo questionamentos sobre o futuro de acadêmicos de cinema nesse âmbito atualmente tão hostil com pessoas novas. A obra também mostrou como o amor pela profissão não garante seu sucesso nem mesmo no meio das artes, ao contrário do que muitos pensam, e demonstrou como caso alguém queira fazer a diferença nesse meio, vai precisar de muito esforço, e talvez não seja o bastante. Talvez sejam pensamentos um pouco baixo-astral, mas no fim, não é isso que o filme nos deixa: não é sobre como é tudo terrível e o cenário nunca mudará, mas sim uma fagulha de esperança, pois arte é o que essas pessoas fazem de melhor, e continuarão fazendo-a. O que o fim nos deixa é a expectativa de um dia o cenário mudar e esses mesmos produtores que sofrem com as mazelas dessa profissão um dia poderão contar suas histórias.

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